terça-feira, 18 de março de 2014

Personagens n'Os Maias

Intriga Principal da Obra

Carlos da Maia - é um dos personagens principais do romance Os Maias, de Eça de Queirós. Amante da ciência e das mulheres. Diletante, visto que exerce sua profissão pelo prazer e não por obrigação.
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É filho de Pedro da Maia e Maria Monforte, mas nunca teve contacto com os pais, excepto quando era ainda muito criança. É a personagem principal da obra. Muitos consideram até Os Maias um romance de personagem, centrado precisamente em Carlos da Maia. Depois da fuga de Maria Monforte, e o suicídio do pai, ficou entregue ao cuidados do avô Afonso da Maia dar-lhe-á a educação que não pôde dar ao filho Pedro - educado segundo cânones tradicionais portugueses, por insistência de uma mãe ultra-católica -, já na quinta do Douro, Santa Olávia, onde se refugiou com o neto, deixando ao abandono o Ramalhete. Assim, educado à maneira inglesa, com normas rígidas, intensa actividade física, sem os tradicionalismos da "cartilha" católica (que atormentara seu pai e o pobre Eusebiozinho, representantes da educação portuguesa), Carlos vai-se tornar num belo homem, física e intelectualmente. Forma-se em Medicina, em Coimbra, onde conhece João da Ega, seu grande amigo. A casa que o avô lhe alugara em Celas, torna-se centro da vida boémia estudantil, onde se discute arte, política, filosofia, o que faz de Carlos muito popular entre os colegas. Depois de formado, viaja pela Europa e conhece o que de melhor há no velho Continente. Torna-se um diletante. Volta a Lisboa e arrasta consigo Afonso da Maia para o Ramalhete. Trabalha por prazer, abre um consultório, monta um laboratório e enche-se de projectos que nunca chega a cumprir, disperso na vida boémia da capital, entre mulheres, amigos e aventuras. Mantém uma relação adúltera com a Condessa de Gouvarinho, até que conhece Maria Eduarda - que na verdade é sua irmã - por quem se apaixona. Desconhecedores do laço de sangue que os une, tornam-se amantes e decidem fugir, até que Carlos toma conhecimento do terrível desfecho da sua história, ao receber uma carta do Sr. Guimarães. Descoberto o segredo, Carlos Eduardo vê-se ensombrado com a morte do avô e torna-se um fracassado da vida. Assim, jovem, bonito, inteligente, cobiçado e culto, com tudo para se tornar um vencedor, Carlos Eduardo da Maia é destinado, tal como o seu pai, Pedro, a fracassar
Carlos da Maia, fisicamente era um belo e magnífico rapaz, alto, bem constituído, de ombros largos, olhos negros, pele branca, cabelos negros e ondulados e uma barba fina, castanha escura, pequena e aguçada no queixo. O bigode era arqueado aos cantos da boca; psicologicamente era culto, bem-educado, de gostos requintados. É corajoso e frontal, amigo do seu amigo e generoso. Destaca-se na sua personalidade o cosmopolitismo, a sensualidade, o gosto pelo luxo, e diletantismo (incapacidade de se fixar num projecto sério e de o concretizar). Contudo apesar da sua educação, Carlos fracassou, não foi devido a esta mas falhou, em parte, por causa do meio onde se instalou – uma sociedade parasita, ociosa, fútil e sem estímulos e também devido a aspectos hereditários – a fraqueza e a cobardia do pai, o egoísmo, a futilidade e o espírito boémio da mãe. Eça quis personificar em Carlos a idade da sua juventude, a que fez a Questão Coimbrã e as Conferências do Casino e que acabou no grupo dos Vencidos da Vida, de que Carlos é um bom exemplo.




Maria Eduarda - é sempre apresentada ao leitor como uma "deusa transviada", como um ser superior que se destaca no meio das mulheres lisboetas. Maria Eduarda encarna a heroína romântica, perseguida pela vida e pelo destino, mas que acaba por encontrar, ainda que momentaneamente, a razão da sua vida, na paixão e no amor. Ela é também vítima do seu passado, das circunstâncias em que cresceu e viveu (bem ao jeito naturalista), mas o facto de ser a própria personagem a narrar o seu percurso omitindo, logicamente, aquilo que não sabe, e referindo o seu passado após o leitor já ter conhecimento do seu presente, afasta Maria Eduarda de alguns dos preceitos estruturais do Naturalismo.


Afonso da Maia Afonso era baixo, maciço, de ombros quadrados e fortes. A sua cara larga, o nariz aquilino e a pele corada. O cabelo era branco, muito curto e a barba branca e comprida. Como dizia Carlos: "lembrava um varão esforçado das idas heróicas, um D. Duarte Meneses ou um Afonso de Albuquerque".Provavelmente o personagem mais simpático do romance e aquele que o autor mais valorizou. Não se lhe conhecem defeitos. É um homem de carácter culto e requintado nos gostos. Enquanto jovem adere aos ideais do Liberalismo e é obrigado, pelo seu pai, a sair de casa; instala-se em Inglaterra mas, falecido o pai, regressa a Lisboa para casar com Maria Eduarda Runa. Dedica a sua vida ao neto Carlos. Já velho passa o tempo em conversas com os amigos, lendo com o seu gato – Reverendo Bonifácio – aos pés, opinando sobre a necessidade de renovação do país. É generoso para com os amigos e os necessitados. Ama a natureza e o que é pobre e fraco. Tem altos e firmes princípios morais. Morre de uma apoplexia, quando descobre os amores incestuosos dos seus netos. É o símbolo do velho Portugal que contrasta com o novo Portugal – o da Regeneração – cheio de defeitos. É os sonho de um Portugal impossível por falta de homens capazes.



Intriga secundária da Obra

Pedro da Maia - é uma das personagens principais do romance Os Maias, de Eça de Queiroz.
Pedro da Maia é filho de Afonso da Maia e de Maria Eduarda Runa e pai de Carlos da Maia e de Maria Eduarda, suicida-se após a sua esposa, Maria Monforte, ter fugido de casa com o napolitano (Tancredo) que acolheu em sua casa. Tem uma educação típicamente portuguesa, o que vai contra as ideias de seu pai. Em Londres a sua mãe tenta dar-lhe a educação mais beatificada possível (para o efeito, chama de Portugal o capelão do conde de Runa, o padre Vasques), e, por isso, torna-se um homem de aparência frágil e melancólica.
Era pequenino, face oval de "um trigueiro cálido", olhos belos – "assemelhavam-no a um belo árabe". Valentia física.
Apresentava um temperamento nervoso, fraco e de grande instabilidade emocional. Tinha assiduamente crises de "melancolia negra que o traziam dias e dias mudo, murcho, amarelo, com as olheiras fundas e já velho". Eça de Queirós dá grande importância à vinculação dessa personagem ao ramo familiar dos Runa e à sua semelhança psicológica com esses. Pedro é vítima do meio baixo lisboeta e de uma educação retrógrada. O seu único sentimento vivo e intenso fora a paixão pela mãe, até se apaixonar por Maria Monforte, paixão que lhe dá até força para contrariar o pai. Apesar da robustez física, é de uma enorme covardia moral (como demonstra a reacção do suicídio face à fuga da sua mulher).
Maria Monforte - é uma personagem do romance Os Maias de Eça de Queiroz. Mulher dominadora, vem a ser a esposa de Pedro da Maia, com quem tem dois filhos : Carlos da Maia e Maria Eduarda da Maia. Um dia foge com Tancredo, um italiano, levando Maria Eduarda e deixando o seu filho Carlos, a Pedro da Maia. Maria Monforte, fisicamente é descrita como extremamente bela e sensual, tinha os cabelos loiros, a testa curta e clássica e o colo ebúrneo; psicologicamente era vítima da literatura romântica e daqui deriva o seu carácter pobre, excêntrico e excessivo, chamavam-lhe a negreira porque o seu pai levara, noutros tempos, cargas de negros para o Brasil, Havana e Nova Orleães. É uma mulher leviana e moralmente fraca e é, em parte, a culpada de todas as desgraças da família Maia.
Após a morte de Tancredo leva uma vida dissipada e morre quase na miséria. É pelas suas mãos, embora indirectamente, que a desgraça atinge a família. Por um lado, ao levar consigo a filha, separou os irmãos. Não tendo contado a Maria Eduarda a verdade sobre a sua origem, deixa esta na ignorância de que tem, em Portugal, um irmão vivo. É ela quem deixa ao Sr. Guimarães uma caixa com documentos vários, entre os quais uma carta que prova ser Maria Eduarda filha de Pedro da Maia, facto que o Sr. Guimarães também comprova.

Outras personagens


João da Ega - Ega usava "um vidro entalado no olho", tinha "nariz adunco, pescoço esganiçado, punhos tísicos, pernas de cegonha". Era o autêntico retrato de Eça. João da Ega é a projecção literária de Eça de Queirós. É um personagem contraditório. Por um lado, romântico e sentimental, por outro, progressista e crítico, sarcástico do Portugal Constitucional.
Era o Mefistófeles de Celorico. Amigo íntimo de Carlos desde os tempos de Coimbra, onde se formara em Direito (muito lentamente). A mãe era uma rica viúva e beata que vivia ao pé de Celorico de Bastos, com a filha.
Boémio, excêntrico, exagerado, caricatural, anarquista sem Deus e sem moral. É leal com os amigos. Sofre também de diletantismo (concebe grandes projectos literários que nunca chega a executar). Terminado o curso, vem viver para Lisboa e torna-se amigo inseparável de Carlos. Como Carlos, também ele teve a sua grande paixão - Raquel Cohen. Um falhado, corrompido pela sociedade.
Encarna a figura defensora dos valores da escola realista por oposição à romântica. Na prática, revela-se em eterno romântico.
Nos últimos capítulos ocupa um papel de grande relevo no desenrolar da intriga. É a ele que Guimarães entrega o cofre. É juntamente com ele, que Carlos revela a verdade a Afonso. É ele que diz a verdade a Maria Eduarda e a acompanha quando esta parte para Paris definitivamente.

Alencar - Tomás de Alencar era "muito alto, com uma face encaveirada, olhos encovados, e sob o nariz aquilino, longos, espessos, românticos bigodes grisalhos". Era calvo, em toda a sua pessoa "havia alguma coisa de antiquado, de artificial e de lúgubre". Simboliza o romantismo piegas. O paladino da moral.
Eça serve-se desta personagens para construir discussões de escola, entre naturalistas e românticos, numa versão caricatural da Questão Coimbrã. Não tem defeitos e possui um coração grande e generoso.

Dâmaso SalcedeDâmaso é uma súmula de defeitos. Filho de um agiota, é presumido, cobarde e sem dignidade. É dele a carta anónima a Castro Gomes, que revela o envolvimento de Maria Eduarda com Carlos. É dele também, a notícia contra Carlos n'A Corneta do Diabo. Mesquinho e convencido, provinciano e tacanho, tem uma única preocupação na vida o "chic a valer".
Representa o novo riquismo e os vícios da Lisboa da segunda metade do séc. XIX. O seu carácter é tão baixo, que se retracta, a si próprio, como um bêbado, só para evitar bater-se em duelo com Carlos..
Era baixo, gordo, "frisado como um noivo de província". Era sobrinho de Guimarães. A ele e ao tio se devem, respectivamente, o início e o fim dos amores de Carlos com Maria Eduarda.




Eusébiozinho - Eusébiozinho representa a educação retrógrada portuguesa. Também conhecido por Silveirinha, era o morgado de uma das Silveiras - senhoras ricas e beatas. Amigo de infância de Carlos com quem brincava em Santa Olávia, levando pancada continuamente, e com quem contrastava na educação. Cresceu tísico, molengão, tristonho e corrupto. Casou-se, mas enviuvou cedo. Procurava, para se distrair, bordéis ou aventureiras de ocasião pagas à hora.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Os Maias- Titulo e Subtitulo

Os Maias - episódios da vida romântica 
Os Maias é uma das obras mais conhecidas do escritor português Eça de Queiroz. O livro foi publicado no Porto em 1888.
A obra ocupa-se da história de uma família (Maia) ao longo de três gerações, centrando-se depois na última com a história de amor incestuoso entre Carlos da Maia e Maria Eduarda. 
Ou seja o titulo faz referência ao nome da família, "Maia", e o subtítulo fala mais concretamente na vida de Carlos Eduardo da Maia e da relação amorosa que tinha com sua irmã desconhecida Maria Eduarda.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Atos ilocutórios

As palavras e a linguagem têm um enorme poder nas nossas vidas, uma vez que, quando comunicamos, interagimos com os outros, não nos limitamos simplesmente a dizer/falar algo. Na maior parte das situações comunicativas, há determinados objetivos precisos nos nossos atos de fala/atos ilocutórios. Os enunciados podem servir para emitir juízos, expressar emoções, levar os outros a fazerem algo, legitimar a realidade ou, até, criar realidade nova. A linguagem tem, assim, uma função social.
Avaliar os atos ilocutórios implica, portanto, atender-se ao respetivo contexto de produção desses atos bem como à relação do locutor com o(s) seu(s) interlocutor(es), o espaço e o tempo, o universo de referência do que é dito.
Articulando a tipologia dos atos ilocutórios com algumas das marcas linguísticas predominantes, é possível distribui-los da seguinte forma:
Atos ilocutórios assertivos 
Traduzem uma posição, uma verdade assumida pelo locutor. Tem como marcas linguísticas predominantes os verbos declarativos (exs.: afirmar, concluir, declarar, dizer, aceitar, etc.), verbos assertivos (exs.: aceitar, admitir, achar, acreditar, considerar, confessar, discordar, negar, responder, entender, etc.),expressões verbais modalizadas(exs.: considerar / achar necessário, possível, certo; colocar a hipótese de, etc.) e asserções simples(afirmativas/negativas).
Exemplos :
.    *   O Eusébio foi um grande futebolista.
*   Acredito que o Sporting será campeão.

Atos ilocutórios directivos

Revelam a intenção de o locutor (através de ordens, sugestões, pedidos, …) conduzir o interlocutor a agir segundo o que lhe é dito, isto é, à realização de uma acção. Expressam  ordens, pedidos, conselhos, avisos, sugestões, instruções através de:

* frases de tipo imperativo;
verbos directivos (exs.: avisar, exigir, implorar, mandar, ordenar, proibir, etc.) 
Expressam pedidos de informação/confirmação com base em:
* frases simples interrogativas;
* frases complexas/interrogativas dominadas por verbos de inquirição (exs.: perguntar, interrogar, inquirir, investigar, etc.);
*frases interrogativas negativas com valor positivo.
Exemplos : 
 Assine aqui, por favor.
Não é verdade que demoraste três horas a fazer o teste?

Atos ilocutórios expressivos

Exprimem sentimentos, emoções, estados de espírito do locutor face ao que enuncia. Tem como marcas: 
Verbos expressivos (exs.: agradecer, compadecer-se, congratular-se, deplorar, desculpar-se, deplorar, felicitar. lamentar, repudiar, etc.).
Verbos modalizados por advérbios (exs.: achar bem/mal, gostar muito/pouco, etc.);
  Frases de tipo exclamativo.

Atos ilocutórios compromissivos 

Traduzem o compromisso de o locutor realizar uma acção futura. Tem como marcas:
 Frases simples marcadas pelo futuro do indicativo ou outro do mesmo valor;
Verbos compromissivos (exs.: comprometer-se, garantir, jurar, prometer, tencionar, etc.);
 Fórmulas de despedida que dêem lugar a compromissos futuros;
Frases complexas, com lógica do tipo condição-consequência, em que a última dá lugar a comprometimento do locutor.

Exemplos:
Logo falto à aula.
Se não trouxeres o documento assinado pela tua mãe, não irás à visita.

    Atos ilocutórios declarativo 

     Expressam o poder (reconhecido institucionalmente) de o locutor criar / transformar uma realidade pelo próprio acto de dizer (actos oficiais: casamentos, reuniões, julgamentos) As marcas predominantes:
         Frases proferidas por locutores institucional ou individualmente reconhecidos com poder, autoridade;
      Verbos declarativos/performativos: declarar, renunciar, nomear, baptizar abrir, encerrar, terminar.
   
    Exemplo :
    *  Os serviços encerram por hoje.
   
    Atos ilocutórios declarativos assertivos

     Pretendem exprimir o que deve ser considerado como uma verdade a seguir, por o locutor possuir uma autoridade específica que é reconhecida pelo interlocutor. Tem como marcas: 
  Expressões modalizadas: ser fundamental, considerar importante, considerar fundamental, considerar imprescindível.

  Exemplos :
  * É essencial que o senhor traga todos os comprovativos.
  * É a resposta da Teresa que está correcta.






terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Frei Luís de Sousa ( tempo, acção,espaço, características)




Caracterização das personagens :
Madalena de Vilhena
É uma heroína romântica, vive marcada por conflitos interiores e pelo passado. Os sentimentos e a sensibilidade sobrepõe-se à razão e é uma mulher em constante sofrimento. Crê em agoiros, superstições e dias fatais (a sexta-feira). É uma sofredora, tem um amor intenso e uma preocupação constante com a filha Maria, contudo coloca a cima de tudo a sua felicidade e amor ao lado de Manuel  de Sousa, mesmo o seu amor à pátria é menor do que o que sente por Manuel. No final da obra, aceita o convento como solução,  mas fá-lo seguindo Manuel (ele foi? Eu vou).

Manuel de Sousa Coutinho
É o típico herói clássico, dominado pela razão, que se orienta por valores universais, como a honra, a lealdade, a liberdade; é um patriota, um velho português às direitas, forte, corajoso e decidido (o incêndio), bom marido, pai terno, não sente ciúmes do passado e não crê em agoiros. O incêndio e a decisão
violenta de o concretizar é um traço romântico.
            Contudo, esta personagem evolui de uma atitude interior de força e de coragem e segurança para um comportamento de medo, de dor, sofrimento, insegurança e piedosa mentira no acto III quando teme pela saúde da filha e pela sua condição social.
            No final da obra, mostra-se tão decidido como noutros momentos: abandona tudo (bens, vida, mundo)e refugia-se no convento.

Maria de Noronha
            É a mulher-anjo dos românticos (fisicamente é fraca e frágil; psicologicamente é muito forte).
            Nobre, de inteligência precoce, é muito culta, intuitiva e perspicaz. Muito curiosa, quer saber tudo... É uma romântica: é nacionalista, idealista, sonhadora, fantasiosa, patriota, crente em agoiros e uma sebastianista.
            É a vitima inocente de toda a situação e acaba por morrer fisicamente, tocada pela vergonha de se sentir filha ilegítima (está tuberculosa).

          
D. João de Portugal
            Nobre cavaleiro, está ausente fisicamente durante o I e o II acto da peça. Contudo, está sempre presente na memória e palavras de Telmo, na consciência de Madalena, nas palavras de Manuel e na intuição de Maria.
            É sempre lembrado como patriota, digno, honrado, forte, fiel ao seu rei; quando regressa, na pele do Romeiro é austero e misterioso, representa um destino cruel, é implacável, destrói uma família e a sua felicidade, mas acaba por ser, também ele, vitima desse destino. Resta-lhe então a solidão, o vazio e a certeza de que ele já só faz parte do mundo dos mortos (é “ninguém”; madalena não o reconhece; Telmo preferia que ele não tivesse voltado pois Maria ocupou o seu lugar no coração do velho escudeiro):
            D. João é uma figura simbólica: representa o passado, a época gloriosa dos descobrimentos; representa também o presente, a pátria morta e sem identidade na mão dos espanhóis / e é a imagem da pátria cativa.


Telmo Pais
            É o velho aio, não é nobre, contudo a sua convivência com as famílias nobres, “deu-lhe” todas as características de um nobre (postura, fala, educação, cultura...).
            É o confidente de Madalena e de Maria.  Fiel, dedicado, é o elo e ligação entre as duas famílias (os dois maridos de Madalena), é a chama viva do passado que alimenta os terrores de Madalena.
É muito critico, cria juízos de valor e é através dele que  consciência das personagens fragmentada que vive num profundo conflito interior pois sente-se dividido entre D, João e Maria, não sabendo o que fazer.
É um sebastianista e sofre muito pela sua lealdade.
Frei Jorge
            Irmão de Manuel de Sousa, representa a autoridade de Igreja. É também confidente de Madalena, pois é a ele que ela confessa o seu “Terrível” pecado: amou Manuel de Sousa ainda D. João era vivo. É um uma figura moderadora, que procura harmonizar o conflito, modera os sentimentos trágicos. Acompanha sempre a família, é conciliador, pacificador e impõe uma certa racionalidade, procurando manter o equilíbrio no meio de uma família angustiada e desfeita.



http://www.youtube.com/watch?v=kXKLZ8JcxVo
( video de Frei Luís de Sousa)



                                                                                                               








Classificação da obra " Memória ao conservatório real" e características do drama romântico e tragedia clássica em Frei Luis de Sousa


Drama ou tragédia?

No texto “ Memória ao Conservatório Real”, Garrett refere que, apesar de se contentar com o titulo de drama para a sua obra ,esta apresenta características do antigo género trágico (“contento-me para a minha obra com o titulo modesto de drama: só peço que não a julguem pelas leis que regem, ou devem reger, essa composição de forma e índole nova ; porque a minha, se na forma desmarece de categoria, pela índole há-de ficar pertencendo sempre ao antigo género trágico.”).


Ora a tragédia clássica centra a sua acção num conflito entre os Homens e os deuses : á arrogância do ser humano ao ansiar pela liberdade, os deuses respondem com um castigo que se traduz na catástrofe. Por outro lado, o drama romântico assenta no real, que resulta da combinação do sublime e do grotesco; o drama espelha a realidade social num dado momento e retrata o homem como vítima do destino e dos deuses, mas como ser responsável pelos seus próprios actos e paixões.


Características da tragédia clássica presentes em Frei Luís de Sousa
- Existência de um número reduzido das personagens.
- Personagens pertencentes a estratos sociais elevados.
- Condensação do tempo em que a acção decorre.
- Existência de poucos espaços.
- Acção sintética, isto é, existe um número reduzido de acções a convergir para a acção trágica.
- Reminiscência do coro da tragédia classica em Frei Jorge e Telmo Pais.

- Existência de momentos que retardam o desenlace trágico.
- Ambiente trágico marcado por uma solenidade clássica.
- Presença de elementos da tragédia clássica como :
 Ananké ( destino) – responsável pela ausência e cativeiros de D. João de Portugal durante vinte e um anos e pela mudança da família de Manuel Sousa Coutinho para o palácio de D. João de Portugal;
·         Hybris (desafio) – presente essencialmente no casamento de Dona Madalena  com Manuel de Sousa Coutinho, sem a confirmação da morte do seu primeiro marido, e no incendio do palácio de Manuel Sousa Coutinho pelo próprio;
·         Agón ( conflito) – manifesta-se a nível psicológico nos conflitos interiores e dilemas vividos por Telmo e Dona Madalena;
·         Anagnórisis (reconhecimento) – momento de identificação do romeiro como D. João de Portugal.
·         Peripéteia (peripécia) – aparecimento de D. João de Portugal e as suas consequências imediatas- ilegitimidade do casamento de dona Madalena e de Manuel Sousa Coutinho, ilegitimidade de sua  filha, morte espiritual do casal ;
·         Climax( a tensão emocional vai aumentando gradualmente ate ao momento da maior tensão emocional)- final do segundo ato, com o reconhecimento do romeiro;
        Pathos (sofrimento)  - sofrimento das diversas personagens devido ás incertezas que as assolam, aso sentimento de culpa (no caso de D. Madalena) e á dissolução da família;
·         Katastrophé (catástrofe)- morte de Maria, separação e morte espiritual do  casal, desgosto de Telmo e consciencialização de D. João de que já não faz parte do mundo daqueles que amou;
·         Cathársis (purificação) – renuncia ao prazer mundano pelo casal, que se refugia no convento , e ascensão de Maria ao espaço celeste, devido á sua inocência.

Características do drama romântico presente em Frei Luís de Sousa:
- o texto escrito em prosa;
- a critica social aos preconceitos que vitimam inocentes (como Maria);
- a situação real que subjaz á ação da peça, o que reitera a preocupação de Garrett com a verdade e a realidade dos acontecimentos;
- o Homem como alvo de atenção analítica;
- A exaltação dos valores patrióticos e nacionais (sobretudo através de Manuel Sousa Coutinho) ;
- as superstições e agouros populares que retratam a cultura portuguesa ;
- a religião crista como um consolo;
- o realismo psicológico que caracteriza a transformação dos sentimentos de Telmo, dividido entre o amor a D. João e a D. Maria de Noronha;
- a projecção da experiência pessoal do autor, que possuía uma filha ilegítima de Adelaide Pastor Deville, por quem se apaixonara ainda casado com Luísa Midosi;
- a morte de Maria em palco;
- o não cumprimento da lei das três unidades da tragédia (unidade de ação , de espaço e de tempo)




Comunicado

Comunicado é um texto cativante, inédito, verdadeiro, objectivo e denotativo. Um comunicado representa um antónimo de comunicação já que este não espera obter uma resposta por parte do receptor, enquanto que para haver comunicação têm que pelo menos existir um emissor e um receptor. Os comunicados são escritos para anunciar alguma ideia ou lei (comunicar algo a alguém).


Características :
Em geral, o comunicado contém informação voltada para os próprios jornalistas, como a troca nos números de telefone da instituição ou o cancelamento de uma entrevista colectiva, por exemplo.
Ao primeiro paragrafo chama-mos de introdução ou lead. Alguns apresentam introdução de acordo com a estrutura do texto narrativo. Outros têm, logo no inicio, um parágrafo-síntese da matéria que o resto do texto desenvolve (data, hora, local, entidade/s predominantemente envolvida/s)
Os restantes parágrafos têm tendência a ser curtos, com uma linguagem simples e muito clara e contêm as informações ordenadas das mais importantes para as menos importantes.
Tipos de comunicado: 
Existem diversos tipos de comunicado: de reunião, de evento, de modificação de um local ou uma data, etc. Irá depender do objetivo do comunicado. Se for comunicar sobre uma reunião, então teremos o comunicado de reunião, se for para informar sobre um determinado evento, então será um comunicado de evento e, assim, sucessivamente. 

Exemplo de um comunicado: