domingo, 6 de abril de 2014

Realismo

O realismo foi um movimento artístico e cultural que surgiu na Europa nas ultimas décadas do séc. XIX, mais concretamente em França. Os integrantes deste movimento odiaram o Neoclassicismo e o Romantismo pois sentiam a necessidade de retratar a vida, os problemas e costumes das classes medias e baixas não inspirada em modelos do passado.

As características gerais do Realismo são: a análise e síntese da realidade com objectividade, em oposição à subjectividade romântica; exactidão, veracidade e abundância de pormenores, com o retrato fidelíssimo da natureza; total indiferença perante o "Eu" subjectivo e pensante perante a natureza (o "Eu" romântico); neutralidade de coração perante o bem e o mal, o feio e o bonito, vício e virtude; análise corajosa de vícios e podridão da sociedade; relacionamento lógico entre as causas desse comportamento (biológicas ou sociais, e a natureza interior e exterior da personagem); admissão de temas cosmopolitas na literatura; uso de expressões simples e sem convencionalismos (por oposição ao tom declamatório romântico).

Principais autores do realismo

Portugal: Eça de Queirós, Antero de Quental
França:(país onde nasceu o movimento) Gustave Flaubert, Balzac e Emile Zola
Inglaterra: William Thackeray e George Eliot
Rússia: Fiódor Dostoievski e Leon Tolstoi

Realismo na Literatura 
Motivados pelas teorias científicas e filosóficas da época, os escritores realistas desejavam retratar o homem e a sociedade em sua totalidade. Não bastava mostrar a face sonhadora ou idealizada da vida, como fizeram os românticos; desejaram mostrar a face nunca antes revelada: a do quotidiano massacrante, do amor adúltero, da falsidade e do egoísmo humano, da impotência do homem comum diante dos poderosos.
Uma característica do romance realista é o seu poder de crítica, adotando uma objetividade que faltou ao romantismo. Grandes escritores realistas descrevem o que está errado de forma natural, ou por meio de histórias como Machado de Assis. Se um autor desejasse criticar a postura de alguma entidade, não escreveria um soneto para tanto, porém escreveria histórias que envolvessem-na de forma a inserir nessas histórias o que eles julgam ser a entidade e como as pessoas reagem a ela.
Em lugar do egocentrismo romântico, verifica-se um enorme interesse de descrever, analisar e até em criticar a realidade. A visão subjetiva e parcial da realidade é substituída pela visão objetiva, sem distorções. Dessa forma os realistas procuram apontar falhas talvez como modo de estimular a mudança das instituições e dos comportamentos humanos. Em lugar de heróis, surgem pessoas comuns, cheias de problemas e limitações. Na Europa, o realismo teve início com a publicação do romance realista Madame Bovary (1857) deGustave Flaubert.
Alguns expoentes do realismo europeu: Gustave Flaubert, Honoré de Balzac, Eça de Queirós, Charles Dickens.


Realismo na Pintura
O historiador Seymour Slive cita que quando se discute o realismo em relação aos pintores de paisagem é importante especificar que esses artistas quase nunca pintavam seus quadros em exteriores. A prática de fazer pinturas ao ar livre só se tornou comum noséculo XIX. Em épocas anteriores as pinturas de paisagem eram quase sempre compostas nos ateliês. Principais pintores realistas:

  • Édouard Manet
  • Gustave Courbet
  • Honoré Daumier
  • Jean-Baptiste Camille Corot
  • Jean-François Millet
  • Théodore Rousseau



Realismo na Música
A Música apresenta os nomes de Tchaikovsky, Berlioz, Brahms e Strauss, o mais realista
de todos, que se propunha a “pintar quadros” meticulosos e que criou o que se chama música “popular”, de dança e entretenimento fácil para grandes públicos, com suas valsas e polcas.
Aos poucos, de uma sociedade dividida em classes, surge uma música dividida em
categorias: erudita e popular.



Realismo para Eça de Queirós
Segundo Eça de Queirós, na 4ª Conferência do Casino a 12 de Junho de 1871, o Realismo é: " a negação da arte pela arte; é a proscrição do convencional, do enfático e do piegas. É a abolição da retórica considerada como arte de promover a comoção usando da inchação do período, da epilepsia da palavra, da congestão dos tropas. É a análise com o fito na verdade absoluta. Por outro lado, o realismo é uma ração contra o romantismo: o romantismo era a apoteose do sentimento; o realismo é a anatomia do carácter. é a critica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos- para que nos conhecermos, para que saibamos se somos verdadeiros ou falsos, para condenar o que houver de mau na nossa sociedade"

Eça de Queirós definiu o Realismo como "uma base filosófica para todas as concepções de espírito - uma lei, uma carta de guia, um roteiro do pensamento humano, na eterna região do belo, do bom e do justo, é a crítica do Homem, para condenar o que houver de mau na nossa sociedade. É não simplesmente o expor (o real) miudamente, trivial, fotográfico,(...)mas sim partir dele para a análise do Homem e sociedade."


Paralelismo entre romantismo e realismo
Embora alguns manuais de literatura estabeleçam uma grande ruptura entre as propostas estéticas do Romantismo e do Realismo, acreditasse que é possível considerar que há um momento de continuidade entre esses dois importantes momentos na história da literatura. O Romantismo conquistou o direito de registrar e debater os grandes momentos da história nacional dos países que floresceu; o Realismo, a seu modo, amplificou esse interesse e trouxe a reflexão sobre a realidade social e política para o centro das narrativas realistas.
RomantismoRealismo
Pessoaprimeiraterceira
Valorizao que se idealiza e senteo que se é

site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Realismo


Naturalismo

Naturalismo difere do Realismo, mas não é independente dele. Ambos crêem que a arte é a representação mimética e objectiva da realidade exterior. Foi a partir desta tendência geral para o Realismo mimético que o Naturalismo surgiu, sendo por isso muitas vezes encarado como uma intensificação do Realismo. As características principais são: tentativa de aplicar à literatura as descobertas e métodos da ciência do séc.XIX (filosofia, sociologia, fisiologia, psicopatologia, etc), tentando explicar as emoções através da sua manifestação física (apresenta, assim, mais razões científicas do que o simples descrever dos factos do Realismo); resultou muitas vezes na escolha de assuntos mais chocantes (alcoolismo, jogo, adultério, opressão social, doenças, as suas causas e consequências), vocabulário mais terra-a-terra, motes mais cativantes ou detalhes mais fotográficos.



O Naturalismo acabou por se tornar uma doutrina (instituiu que o indivíduo era primária e fundamentalmente modelado pela hereditariedade, meio e educação - pela "natureza"), com uma certa visão muito específica (Eça de Queirós chamou-lhe a "forma científica que a arte assume") do Homem e do seu comportamento, tornando-se mais concreto mas também mais limitado que o Realismo, embora que, como os olhos do observador/escritor não são lentes inanimadas, a reprodução da realidade em cada uma das obras Naturalistas, pode reconhecer-se como sendo individual, e os Naturalistas acabam por afastar-se da própria teoria.



Escritores importantes enquadrados neste movimento Realista-Naturalista, são Eça de Queirós, Antero de Quental e Oliveira Martins, por exemplo.

sábado, 5 de abril de 2014

Critica a humilhação dos humildes

 A humilhação sentimental


Na poesia de Cesário, a imagem da mulher burguesa surge como crítica social, utilizada no contexto da caracterização da cidade, por oposição ao campo.
A mulher burguesa é caracterizada como extremamente bela e sensual; no entanto, revela-se altiva, distante , fria e superficial – o tipo citadino e aristocrático -, exercendo sobre o poeta um fascínio total que o conduz à humilhação.
É notório a anulação do poeta perante a aristocrata, qual mulher fatal, que submete o poeta a uma subserviência amorosa, abdicando da sua própria independência e liberdade em relação a uma mulher que o fascina e estonteia, mas que o ignora.
A submissão do poeta leva-o a uma relação de criado-senhora. Ela é o tipo burguês aristocrático que, devido à sua posição social, se coloca acima das outras classes; ele é o servo que vive submisso à mulher. No entanto, ela ignora a sua presença, não revelando qualquer sentimento pelo poeta, o que o leva a humilhação. Mais do que a rejeição amorosa, a Cesário magoa o facto desta postura altiva evidenciar desprezo por todos os que se encontram num nível inferior ao seu. É esta humilhação que deixa o coração do poeta dilacerado.
Cesário dá-nos um retrato da mulher citadina aliado à artificialidade e à opressão social da cidade, uma mulher frígida e superior, que estonteia e fascina, que o hipnotiza e o trata com indiferença, com o seu porte britânico e altivo.

A humilhação estética

A revolta pela incompreensão que os outros manifestam em relação à sua poesia e pela recusa de publicação por alguns jornais («Contrariedades»).

 A humilhação social

A técnica realista de Cesário permite-nos ter uma visão das transformações económicas, sociais, culturais que se operam na cidade de Lisboa no final do século XIX .
Tais transformações são o mote para a crítica à sociedade do século XIX (Eça de Queirós), não só pelo contraste das classes sociais mas, acima de tudo, pela atitude de desdém da burguesia em relação ao povo, ao proletariado.
Com a febre das construções, da abertura de ruas amplas, surge uma massa de trabalhadores que importa enumerar: pedreiros, carpinteiros, calceteiros, ferreiros, que, por sua vez, se juntavam aos operários das novas fábricas. Organizava-se uma nova classe social - o operariado -, que veio a gerar um antagonismo social ao qual Cesário esteve atento: aqueles que trabalhavam de sol a sol viviam uma vida degradante e miserável; aqueles que viviam do trabalho do operariado, levando uma vida de ócio e prazer, vivam luxuosa e tranquilamente.
Cesário simpatiza naturalmente com todos aqueles que trabalham e se vêem esmagados pelos que parasitam e vivem da sua exploração. Lastima ainda a asfixia de tantos que vivem ou vegetam encarcerados em ambientes citadinos pesados como chumbo, principalmente aqueles que labutam diariamente, desde o romper do sol até anoitecer, ao serviço de burgueses inúteis, incapazes de mudar a sua condição social.
Cesário recusa as hierarquias sociais, anula a sua posição de burguês, contactando directamente com as pessoas, preferencialmente com as do campo, que lhe transmitem as forças, a alegria, a plenitude, revigorando-lhe o espírito.
Coloca-se ao lado dos desfavorecidos, vítimas da opressão social da cidade, denunciando as circunstâncias sociais injustas.

http://lusofonia.com.sapo.pt/literatura_portuguesa/cesario_verde.htm

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Cesário Verde- Binómio Cidade /Campo


Campo/cidade: campo, símbolo do amor e da felicidade no passado; cidade, símbolo da confusão no amor e da infelicidade - no presente. No presente, ao campo opõe-se não só a cidade onde vive o poeta, mas também o convento, onde vive a mulher amada. Cidade e convento identificam-se: para o poeta, a cidade é a morte e para a mulher amada, o convento é sepultura. A mulher bonita, no campo, vive com alegria e, na cidade/convento, a mulher é tristíssima.

A Cidade

Cesário Verde viveu no período histórico de grandes transformações sociais: o nascimento da grande indústria, o desenvolvimento dos transportes e comunicações, a formação da alta burguesia. O poeta assistiu às sucessivas fases de lançamento da via-férrea nacional, à expansão do sistema rodoviário, ao advento da engenharia civil e testemunhou vários melhoramentos modernos: o telégrafo, a iluminação a gás ns ruas, os transportes colectivos, os primeiros candeeiros eléctricos.
Lisboa, nos tempos de Cesário Verde, era pequena (200 mil habitantes), desconfortável e, sobretudo, insalubre, doentia, devido à insuficiência de água fornecida ao domicílio, à insuficiência de esgotos, à acumulação de despejos nas ruas, aos estrumes dos currais, etc...
Cesário começou a passear e a reparar nas ruas da sua cidade, a observar as atmosferas mórbidas e sensuais, a absorver-lhes todo o cheiro, todo o ruído, a examinar o pavimento das vias e o feitio dos transeuntes. Espreitou pelas janelas e viu o que se passava nos seus interiores. Entrou nos comércios e cafés e inventariou coisas e pessoas.
Todas estas pessoas e coisas são produtos típicos da evolução que Lisboa sofreu no tempo de Cesário: a revolução do vapor na indústria e nos transportes, a invasão da técnica, o proletariado, o urbanismo – higiene pública, iluminação, pavimentação de ruas, construção de bairros, etc.
Engolfado nesta realidade citadina, Cesário sente-se preso, diminuído, oprimido. As pessoas humildes causam-lhe pena e suscitam-lhe expressões de revolta as agruras a que a vida as sujeita. Cesário sente-se nevrótico, cheio de tédio, com ânsias de fugir não sabe para onde, ou talvez saiba: em busca da perfeição das coisas.
Ao deambular pela cidade, observando e descrevendo, o poeta deixa antever o gosto por um espaço mais puro e natural.
Ao nível pessoal, a cidade significa a ausência de valores humanos, a impessoalidade, a ausência de contactos humanos, a impossibilidade ou a perversão do amor; a nível social, a cidade significa opressão, exploração, diminuição do Homem. Cesário tenta ultrapassar esta limitação da cidade através da comunhão com o campo, com o qual se identifica e se sente revitalizado.
O Campo

Os momentos deliciosos que passou na quinta de Linda-a-Pastora, cultivando fruta para exportar, arrancaram-lhe expressões de entusiasmo pelas fainas agrícolas, pela saúde que se goza na vida ao ar livre, que o transformam num camponês que «andava preso em liberdade pela cidade», olhando para as casas como se olha para as árvores.
Em oposição ao carácter doentio da cidade, Cesário prefere o campo. Nele encontra o que na cidade vê não existir: "Bons ares! Boa luz! Bons alimentos". O campo serve para Cesário como elemento revitalizador. O simples contacto com os seus diversos elementos transformam-no num ser robusto, vivo, dinâmico.
O Campo é a representação dos valores humanos, do contacto humano, da aproximação entre os seres, do trabalho honesto e árduo, da convivência salutar entre o Homem e a Natureza. Daí que o poeta nutra natural simpatia, apreço e ternura por tudo o que esteja ligado ao espaço rural.


Notas: podemos induzir como características essenciais da poesia de Cesário o seu carácter deambulatório (poesia do transeunte), uma vez que a sua poesia é um relato do que observa enquanto deambula, caminha pelas ruas da sua cidade; o impressionismo, pois, ao descrever o que observa, deixa transparecer as impressões que a realidade lhe suscita; as constantes sinestesias e duplas adjetivações.
A lírica de Cesário é uma poesia do quotidiano. Com uma atitude impressionista, descreve e analisa a paisagem, através de uma perspectiva pictórica, num apelo constante às sensações visuais.