terça-feira, 29 de abril de 2014

Bibliografia de Fernando Pessoa e heterónimos


Obras de Fernando Pessoa


· Do Livro do Desassossego
· Ficções do interlúdio: para além do outro oceano
· Na Floresta do Alheamento
· O Banqueiro Anarquista
· O Marinheiro
· Por ele mesmo



Poesias de Fernando Pessoa


· A barca
· Aniversário
· Autopsicografia
· À Emissora Nacional
· Amei-te e por te amar...
· Antônio de Oliveira Salazar
· Autopsicografia
· Elegia na Sombra
· Isto
· Liberdade
· Mar português
· Mensagem
· Natal
· O Eu profundo e os outros Eus
· O cancioneiro                                                                                                                                                          Fernando pessoa e heterónimos (caricatura)

Prosas de Fernando Pessoa

· Pessoa e o Fado: Um Depoimento de 1929
· Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação
· Páginas de Estética e de Teoria e de Crítica Literárias


Obras do heterônimo Alberto Caeiro


·O Guardador de Rebanhos
· O guardador de rebanhos - XX
· A Espantosa Realidade das Cousas
· Um Dia de Chuva
· Todos os Dias
· Poemas Completos
· Quando Eu não tinha
· Vai Alta no Céu a lua da Primavera
· O Amor é uma Companhia
· Eu Nunca Guardei Rebanhos
· O Meu Olhar
· Ao Entardecer
· Esta Tarde a Trovoada Caiu
· Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada
· Pensar em Deus
· Da Minha Aldeia
· Num Meio-Dia de Fim de Primavera
· Sou um Guardador de Rebanhos
· Olá, Guardador de Rebanhos
· Aquela Senhora tem um Piano
· Os Pastores de Virgílio
· Não me Importo com as Rimas
· As Quatro Canções
· Quem me Dera
· No meu Prato
· Só a Natureza é Divina
· Li Hoje
· Nem Sempre Sou Igual
· Se Quiserem que Eu Tenha um Misticismo
· Se às Vezes Digo que as Flores Sorriem
· Ontem à Tarde
· Pobres das Flores
· Acho tão Natural que não se Pense
· Há Poetas que são Artistas
· Como um Grande Borrão

Obras do heterônimo Álvaro de Campos 

· Acaso
· Acordar
· Adiamento
· Afinal
· A Fernando Pessoa
· A Frescura
· Ah, Onde Estou
· Ah, Perante
· Ah, Um Soneto
· Ali Não Havia
· Aniversário
· Ao Volante
· Apostila
· às Vezes
· Barrow-on-Furness
· Bicarbonato de Soda
· O Binômio de Newton
· A Casa Branca Nau Preta
· Chega Através
· Cartas de amor 
· Clearly Non-Campos!
· Começa a Haver
· Começo a conhecer-me. Não existo


Obras do heterônimo Ricardo Reis
· A Abelha
· A Cada Qual
· Acima da verdade
· A flor que és
· Aguardo
· Aqui
· Aqui, dizeis
· Aqui, neste misérrimo desterro
· Ao Longe
· Aos Deuses
· Antes de Nós
· Anjos ou Deuses
· A palidez do dia
· Atrás não torna
· A Nada Imploram
· As Rosas
· Azuis os Montes
· Bocas Roxas
· Breve o Dia
· Cada Coisa
· Cada dia sem gozo não foi teu
· Cancioneiro 
· Como
· Coroai-me
· Cuidas, índio
· Da Lâmpada
· Da Nossa Semelhança


Biografia de Fernando Pessoa


B.I 


foto de Fernando Pessoa
Nome Completo: Fernando António Nogueira Pessoa

Nome do Pai: Joaquim de Seabra Pessoa

Nome da Mãe: Maria Madalena Pinheiro Nogueira Pessoa

Ocupação: Poeta, escritor

Profissão: Correspondente comercial e tradutor

Movimento literário: Modernismo

Local e data de Nascimento: Lisboa, 13 junho de 1888

Faleceu em Lisboa, 30 de novembro de 1935

Causa da morte: Cirrose Hepática

Assinatura: 

Assinatura pessoa fernando.jpg


Biografia 

Fernando pessoa foi um escritor e poeta  português, é considerado um dos maiores poetas portugueses e da literatura mundial.
 Aos seis anos de idade, Fernando Pessoa foi para a África do Sul, onde aprendeu perfeitamente o inglês, e das quatro obras que publicou em vida, três são em inglês. Durante sua vida, Fernando Pessoa trabalhou em vários lugares como correspondente de língua inglesa e francesa. Foi também empresário, editor, crítico literário, jornalista, comentador político, tradutor, inventor, astrólogo e publicitário, e ao mesmo tempo produzia suas obras em verso e prosa. 
Ficheiro:Pessoa 1894.gif 
Fernando Pessoa com 6 anos

Em 1905, retornou sozinho para Lisboa e, no ano seguinte, matriculou-se no Curso Superior de Letras. Porém, abandonou o curso um ano depois. 
Pessoa passou a ter um contato mais efetivo com a literatura portuguesa, principalmente Padre António Vieira e Cesário Verde. Foi também influenciado pelos estudos filosóficos de Nietzsche e Schopenhauer. Recebeu também influências do simbolismo francês.

Em 1912, começou suas atividade como ensaísta e crítico literário, na revista Águia. 

Como poeta, era conhecido por suas múltiplas personalidades, os heterónimos, que eram e são até hoje objeto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra. 

Principais heterónimos:

Alberto Caeiro, nascido em Lisboa, e era o mais objetivo dos heterónimos. Buscava o objetivismo absoluto, eliminando todos os vestígios da subjetividade. É o poeta que busca "as sensações das coisas tais como são". Opõe-se radicalmente ao intelectualismo, à abstração, à especulação metafísica e ao misticismo. É o menos "culto" dos heterónimos, o que menos conhece a Gramática e a Literatura. 

Ricardo Reis, nascido no Porto, representa a vertente clássica ou neoclássica da criação de Fernando Pessoa. Sua linguagem é contida, disciplinada. Seus versos são, geralmente, curtos. Apoia-se na mitologia grego-romana; é adepto do estoicismo e do epicurismo (saúde do corpo e da mente, equilíbrio, harmonia) para que se possa aproveitar a vida, porque a morte está à espreita. É um médico que se mudou para o Brasil. 

Álvaro de Campos, nascido no Porto, é o lado "moderno" de Fernando Pessoa, caracterizado por uma vontade de conquista, por um amor à civilização e ao progresso. Campos era um engenheiro inativo, inadaptado, com consciência crítica.




domingo, 6 de abril de 2014

Textos narrativos (descritivos e textos líricos)

Textos descritivos: 



Descrever é caracterizar alguém, alguma coisa ou algum lugar através de características que particularizem o caracterizado em relação aos outros seres da sua espécie. Descrever, portanto, é também particularizar um ser. É "fotografar" com palavras. 
No texto descritivo, por isso, os tipos de verbos mais adequados (mais comuns) são os VERBOS DE LIGAÇÃO (SER, ESTAR, PERMANECER, FICAR, CONTINUAR, TER, PARECER, etc.), pois esses tipos de verbos ligam as características - representadas linguisticamente pelos adjectivos - aos seres caracterizados - representados pelos substantivos. 


Ex. O pássaro é azul. 1-Caracterizado: pássaro / 2-Caracterizador ou característica: azul / O verbo que liga 1 com 2: é



Textos Narrativos:



Uma estrutura narrativa apresenta verbos no pretérito perfeito e predicados de ação relativos a eventos que se referem à primeira ou à terceira pessoa. A narrativa possui uma estrutura própria de organizar a informação. Os eventos são organizados no tempo, de forma tal que o leitor deve sentir a reconstrução de uma experiência e que no final apresente claramente uma avaliação.

Na sucessão dos enunciados da estrutura narrativa sempre ocorre uma mudança, uma transformação de estado com alguém. Observa-se que no texto narrativo ocorrem enunciados de estado e enunciados de ação, os quais fazem acontecer mudanças que dão origem a novas enunciados, novos estados.
As principais características de uma narrativa são:
1. A figurabilidade, isto é, predominância de termos concretos;
2. Mudança de situação;




Texto Lírico:

O texto lírico é aquele que, recorrendo a um discurso denso, expressivo, breve e conciso, permite , artisticamente e com musicalidade e ritmo, exprimir as emoções, os sentimentos, os desejos ou os pensamentos íntimos que nascem ou se apresentam ao espírito, ou seja, ao mundo interior do "eu". No texto lírico, predomina uma voz central, um "eu" que, sem preocupações espácio-temporais, revela o seu olhar sobre o mundo, com que se funde, e aprofunda as suas vivências em ocionais, os seus estados de alma, reflexões, conceções e sentimentos. Usualmente, recorre á enunciação na primeira pessoa, podendo traduzir entusiasmos individuais e coletivos.
A poesia é a forma de literatura que melhor e com mais frequência privilegia o lirismo, embora também o possamos encontrar em diversos textos de prosa. O verso e os recursos sonoros e textuais, como rima, métrica, ritmo, musicalidade e figuras de linguagem favorecem, na poesia, o tratamento desta expressão de sentimentos, das emoções e pensamentos. Isto não invalida a presença da efusão lírica em belíssimos textos de prosa, cuja estrutura frásica, o predomínio da linguagem conotativa e das funções poéticas e emotivas, o vocabulário marcadamente afectivo, ou s imagens permitem exprimir a mensagem individual e intima. o que interessa é a criação onde dominam as preocupações do "EU" que procura comunicar os seus estados de alma e as suas reacções.

Parnasianismo

O vocábulo Parnasianismo deriva de Parnaso, monte da antiga Grécia, consagrado a Apolo, Deus da beleza e da poesia, e às musas. Consequentemente, o parnasianismo procura a pureza e a beleza da arte.
O Parnasianismo surgiu como reacção ao Romantismo sentimentalista (piegas), humanitarismo e apologético(idealista). E, quase pelas mesmas razões, afasta-se ainda do realismo poético . Ao contrário das escolas citadas a que se opõe, o Parnasianismo não é nem pretende ser uma arte útil, comprometida. Antes propugna o ideal da «arte pela arte», uma arte impassível, serena, plástica, mera reprodução da realidade em formas e cores, uma arte onde, mais ou menos, se adivinha o primado do estilo.
Os parnasianistas consideravam que nem o romantismo nem o realismo eram capazes de mostrar ou revelar os conceitos de belo, perfeito e equilibrado. O romantismo era incapaz de o fazer porque idealizava um mundo que não era o real; o realismo também se mostrava ineficaz porque abordava temáticas demasiado polémicas para serem analisadas serena e tranquilamente.
Por estes motivos, o parnasianismo voltou-se para a realidade exterior, directamente observável. Abordaria temas do quotidiano, servindo de repórter/pintor daquilo que era observado. A arte deveria ser uma mera pintura da realidade testemunhada, sem abordar temáticas polémicas nem deixar transparecer sentimentos. Os parnasianistas defendiam o que hoje é tomado como a arte fotográfica, uma arte sem emoções que conferem subjectividade e não expõem a realidade tal qual ela é.
Deste modo, a arte devia ser plástica, minuciosa, mera reprodução de formas e de cores, valorizando o culto da beleza, o aprimorado artesanato do poeta. A arte parnasianista servia-se a si própria, procurando a serenidade, o espectador, a eleição da forma, a fixidez escultórica.
Podemos descobrir no Parnasianismo duas características essenciais:


Objectividade dos temas
A poesia volta-se agora para o mundo exterior. Substitui os temas subjectivos por temas objectivos, afastando do seu conteúdo quaisquer elementos polémicos bem como preocupações político-sociais. Há o repúdio claro por tornar a arte útil, para a colocar ao serviço da sociedade. É difícil, senão mesmo impossível, que o artista crie uma obra sem lhe comunicar um pouco do seu modo de ser pessoal. De qualquer modo, o poeta exporá esses temas tais quais se lhe apresentam na realidade, esforçando-se por não os desfigurar com o sentimentalismo.

A expressão literária exacta e correcta
O esmero da forma é uma das preocupações básicas do Parnasianismo. A objectividade dos temas deve ser expressa em formas impecavelmente correctas, nítidas, picturais, perfeitas, adequadas, evitando qualquer adorno exagerado.

Realismo

O realismo foi um movimento artístico e cultural que surgiu na Europa nas ultimas décadas do séc. XIX, mais concretamente em França. Os integrantes deste movimento odiaram o Neoclassicismo e o Romantismo pois sentiam a necessidade de retratar a vida, os problemas e costumes das classes medias e baixas não inspirada em modelos do passado.

As características gerais do Realismo são: a análise e síntese da realidade com objectividade, em oposição à subjectividade romântica; exactidão, veracidade e abundância de pormenores, com o retrato fidelíssimo da natureza; total indiferença perante o "Eu" subjectivo e pensante perante a natureza (o "Eu" romântico); neutralidade de coração perante o bem e o mal, o feio e o bonito, vício e virtude; análise corajosa de vícios e podridão da sociedade; relacionamento lógico entre as causas desse comportamento (biológicas ou sociais, e a natureza interior e exterior da personagem); admissão de temas cosmopolitas na literatura; uso de expressões simples e sem convencionalismos (por oposição ao tom declamatório romântico).

Principais autores do realismo

Portugal: Eça de Queirós, Antero de Quental
França:(país onde nasceu o movimento) Gustave Flaubert, Balzac e Emile Zola
Inglaterra: William Thackeray e George Eliot
Rússia: Fiódor Dostoievski e Leon Tolstoi

Realismo na Literatura 
Motivados pelas teorias científicas e filosóficas da época, os escritores realistas desejavam retratar o homem e a sociedade em sua totalidade. Não bastava mostrar a face sonhadora ou idealizada da vida, como fizeram os românticos; desejaram mostrar a face nunca antes revelada: a do quotidiano massacrante, do amor adúltero, da falsidade e do egoísmo humano, da impotência do homem comum diante dos poderosos.
Uma característica do romance realista é o seu poder de crítica, adotando uma objetividade que faltou ao romantismo. Grandes escritores realistas descrevem o que está errado de forma natural, ou por meio de histórias como Machado de Assis. Se um autor desejasse criticar a postura de alguma entidade, não escreveria um soneto para tanto, porém escreveria histórias que envolvessem-na de forma a inserir nessas histórias o que eles julgam ser a entidade e como as pessoas reagem a ela.
Em lugar do egocentrismo romântico, verifica-se um enorme interesse de descrever, analisar e até em criticar a realidade. A visão subjetiva e parcial da realidade é substituída pela visão objetiva, sem distorções. Dessa forma os realistas procuram apontar falhas talvez como modo de estimular a mudança das instituições e dos comportamentos humanos. Em lugar de heróis, surgem pessoas comuns, cheias de problemas e limitações. Na Europa, o realismo teve início com a publicação do romance realista Madame Bovary (1857) deGustave Flaubert.
Alguns expoentes do realismo europeu: Gustave Flaubert, Honoré de Balzac, Eça de Queirós, Charles Dickens.


Realismo na Pintura
O historiador Seymour Slive cita que quando se discute o realismo em relação aos pintores de paisagem é importante especificar que esses artistas quase nunca pintavam seus quadros em exteriores. A prática de fazer pinturas ao ar livre só se tornou comum noséculo XIX. Em épocas anteriores as pinturas de paisagem eram quase sempre compostas nos ateliês. Principais pintores realistas:

  • Édouard Manet
  • Gustave Courbet
  • Honoré Daumier
  • Jean-Baptiste Camille Corot
  • Jean-François Millet
  • Théodore Rousseau



Realismo na Música
A Música apresenta os nomes de Tchaikovsky, Berlioz, Brahms e Strauss, o mais realista
de todos, que se propunha a “pintar quadros” meticulosos e que criou o que se chama música “popular”, de dança e entretenimento fácil para grandes públicos, com suas valsas e polcas.
Aos poucos, de uma sociedade dividida em classes, surge uma música dividida em
categorias: erudita e popular.



Realismo para Eça de Queirós
Segundo Eça de Queirós, na 4ª Conferência do Casino a 12 de Junho de 1871, o Realismo é: " a negação da arte pela arte; é a proscrição do convencional, do enfático e do piegas. É a abolição da retórica considerada como arte de promover a comoção usando da inchação do período, da epilepsia da palavra, da congestão dos tropas. É a análise com o fito na verdade absoluta. Por outro lado, o realismo é uma ração contra o romantismo: o romantismo era a apoteose do sentimento; o realismo é a anatomia do carácter. é a critica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos- para que nos conhecermos, para que saibamos se somos verdadeiros ou falsos, para condenar o que houver de mau na nossa sociedade"

Eça de Queirós definiu o Realismo como "uma base filosófica para todas as concepções de espírito - uma lei, uma carta de guia, um roteiro do pensamento humano, na eterna região do belo, do bom e do justo, é a crítica do Homem, para condenar o que houver de mau na nossa sociedade. É não simplesmente o expor (o real) miudamente, trivial, fotográfico,(...)mas sim partir dele para a análise do Homem e sociedade."


Paralelismo entre romantismo e realismo
Embora alguns manuais de literatura estabeleçam uma grande ruptura entre as propostas estéticas do Romantismo e do Realismo, acreditasse que é possível considerar que há um momento de continuidade entre esses dois importantes momentos na história da literatura. O Romantismo conquistou o direito de registrar e debater os grandes momentos da história nacional dos países que floresceu; o Realismo, a seu modo, amplificou esse interesse e trouxe a reflexão sobre a realidade social e política para o centro das narrativas realistas.
RomantismoRealismo
Pessoaprimeiraterceira
Valorizao que se idealiza e senteo que se é

site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Realismo


Naturalismo

Naturalismo difere do Realismo, mas não é independente dele. Ambos crêem que a arte é a representação mimética e objectiva da realidade exterior. Foi a partir desta tendência geral para o Realismo mimético que o Naturalismo surgiu, sendo por isso muitas vezes encarado como uma intensificação do Realismo. As características principais são: tentativa de aplicar à literatura as descobertas e métodos da ciência do séc.XIX (filosofia, sociologia, fisiologia, psicopatologia, etc), tentando explicar as emoções através da sua manifestação física (apresenta, assim, mais razões científicas do que o simples descrever dos factos do Realismo); resultou muitas vezes na escolha de assuntos mais chocantes (alcoolismo, jogo, adultério, opressão social, doenças, as suas causas e consequências), vocabulário mais terra-a-terra, motes mais cativantes ou detalhes mais fotográficos.



O Naturalismo acabou por se tornar uma doutrina (instituiu que o indivíduo era primária e fundamentalmente modelado pela hereditariedade, meio e educação - pela "natureza"), com uma certa visão muito específica (Eça de Queirós chamou-lhe a "forma científica que a arte assume") do Homem e do seu comportamento, tornando-se mais concreto mas também mais limitado que o Realismo, embora que, como os olhos do observador/escritor não são lentes inanimadas, a reprodução da realidade em cada uma das obras Naturalistas, pode reconhecer-se como sendo individual, e os Naturalistas acabam por afastar-se da própria teoria.



Escritores importantes enquadrados neste movimento Realista-Naturalista, são Eça de Queirós, Antero de Quental e Oliveira Martins, por exemplo.

sábado, 5 de abril de 2014

Critica a humilhação dos humildes

 A humilhação sentimental


Na poesia de Cesário, a imagem da mulher burguesa surge como crítica social, utilizada no contexto da caracterização da cidade, por oposição ao campo.
A mulher burguesa é caracterizada como extremamente bela e sensual; no entanto, revela-se altiva, distante , fria e superficial – o tipo citadino e aristocrático -, exercendo sobre o poeta um fascínio total que o conduz à humilhação.
É notório a anulação do poeta perante a aristocrata, qual mulher fatal, que submete o poeta a uma subserviência amorosa, abdicando da sua própria independência e liberdade em relação a uma mulher que o fascina e estonteia, mas que o ignora.
A submissão do poeta leva-o a uma relação de criado-senhora. Ela é o tipo burguês aristocrático que, devido à sua posição social, se coloca acima das outras classes; ele é o servo que vive submisso à mulher. No entanto, ela ignora a sua presença, não revelando qualquer sentimento pelo poeta, o que o leva a humilhação. Mais do que a rejeição amorosa, a Cesário magoa o facto desta postura altiva evidenciar desprezo por todos os que se encontram num nível inferior ao seu. É esta humilhação que deixa o coração do poeta dilacerado.
Cesário dá-nos um retrato da mulher citadina aliado à artificialidade e à opressão social da cidade, uma mulher frígida e superior, que estonteia e fascina, que o hipnotiza e o trata com indiferença, com o seu porte britânico e altivo.

A humilhação estética

A revolta pela incompreensão que os outros manifestam em relação à sua poesia e pela recusa de publicação por alguns jornais («Contrariedades»).

 A humilhação social

A técnica realista de Cesário permite-nos ter uma visão das transformações económicas, sociais, culturais que se operam na cidade de Lisboa no final do século XIX .
Tais transformações são o mote para a crítica à sociedade do século XIX (Eça de Queirós), não só pelo contraste das classes sociais mas, acima de tudo, pela atitude de desdém da burguesia em relação ao povo, ao proletariado.
Com a febre das construções, da abertura de ruas amplas, surge uma massa de trabalhadores que importa enumerar: pedreiros, carpinteiros, calceteiros, ferreiros, que, por sua vez, se juntavam aos operários das novas fábricas. Organizava-se uma nova classe social - o operariado -, que veio a gerar um antagonismo social ao qual Cesário esteve atento: aqueles que trabalhavam de sol a sol viviam uma vida degradante e miserável; aqueles que viviam do trabalho do operariado, levando uma vida de ócio e prazer, vivam luxuosa e tranquilamente.
Cesário simpatiza naturalmente com todos aqueles que trabalham e se vêem esmagados pelos que parasitam e vivem da sua exploração. Lastima ainda a asfixia de tantos que vivem ou vegetam encarcerados em ambientes citadinos pesados como chumbo, principalmente aqueles que labutam diariamente, desde o romper do sol até anoitecer, ao serviço de burgueses inúteis, incapazes de mudar a sua condição social.
Cesário recusa as hierarquias sociais, anula a sua posição de burguês, contactando directamente com as pessoas, preferencialmente com as do campo, que lhe transmitem as forças, a alegria, a plenitude, revigorando-lhe o espírito.
Coloca-se ao lado dos desfavorecidos, vítimas da opressão social da cidade, denunciando as circunstâncias sociais injustas.

http://lusofonia.com.sapo.pt/literatura_portuguesa/cesario_verde.htm